Guifões Sport Clube - 1931/2009 - 78 anos ao serviço do desporto.




Ler o jogo



Ler bem o jogo e jogar sem bola são condições fundamentais para aprender a compreender esse mesmo jogo.

- As crianças na aprendizagem da língua materna começam a soletrar e a juntar palavras. Nesta fase ler não significa saber dar sentido àquilo que se lê. A noção de leitura tem um sentido mais abrangente, significa compreender e para compreender é preciso aprender.

- Ler o jogo não é propriamente uma actividade intelectual similar à aprendizagem da língua materna ou à tradução em sons das notas musicais de uma partitura. À partida, duas grandes diferenças:

1ª – O tempo disponível e a área de acção são impostos pelos adversários;
2ª – O jogo provoca emoções e cansaço físico que condicionam as respostas.

- Ler e decidir quando o corpo não está em acção não é comparável à situação real do jogo porque aqui há influências de estratégias e da táctica do treinador, níveis de fadiga, de ansiedade e a própria oposição dos adversários que limitam decisões adequadas e o tempo de execução. Em simultâneo, há que adivinhar intenções, procurar criar ou negar espaços, interpretar sinais e indícios para decidir e agir em função das análises efectuadas.

- Alguns jogadores, pelas suas capacidades físicas e valor técnico, poderão atingir níveis razoáveis mas, nunca níveis de excelência; outros, poderão compreender o jogo mas, nunca serão capazes de dar respostas adequadas por falta de capacidades técnicas.



Intervenção do treinador


- A solução para aprender a ler passará a ser por, o mais cedo possível, começar a propor aos atletas situações de treino em progressão do grau de dificuldade que levantem problemas de escolha. A elaboração das respostas é de construção progressiva e desde o inicio deve ser treinada em simultâneo com o gesto técnico.

- A grande tarefa do treinador será adequar a complexidade da tarefa às capacidades momentâneas dos jogadores e recomeçar, quando necessário, para consolidar aprendizagens.


- Compete aos treinadores facilitar a automatização desta ligação da percepção à acção dando a conhecer aos jogadores as diversas formas de agir para que eles próprios assumam as decisões tácticas mais adequadas ao seu nível. É este conhecimento prévio que pode levar os jogadores a antecipar as suas intervenções.

- Complexa esta tarefa de ler o jogo enquanto se intervém; ser actor e, ao mesmo tempo, desempenhar vários papéis.
Ter ou não ter a posse da bola, estar do lado da bola ou estar do lado da ajuda; diversas situações a merecerem análises circunstanciais.
Um abraço do,
Mário Barros

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