A falência da Liga
Nos últimos dias, assistimos à ameaça de algumas falências que me deixaram bastante preocupado pelas consequências sociais que delas poderão resultar. Ao invés, a previsível falência da Liga de Basquetebol, a meu ver, poderá ser bastante benéfica para a modalidade.
Desde criança que me dediquei ao Basquetebol no Clube do meu coração, o Guifões Sport Clube, sendo praticante até aos 35 anos, jogando ainda em recintos ao ar livre e posteriormente em jornadas agrupadas no Pavilhão dos Desportos do Porto, ao qual hoje se chama Pavilhão Rosa Mota.
O Basquetebol, com todas as dificuldades sentidas, era na realidade uma modalidade muito apreciada e acarinhada pelo povo. Houve evolução e alguns Clubes com arcaboiço financeiro começaram por incluir nas suas equipas um ou outro jogador Estrangeiro, sem grandes loucuras, o que foi efectivamente bom para o progresso da modalidade.
Com a evolução tecnológica, a N B A começou a entrar nas nossas casas e não tardou muito a que, à boa maneira Portuguesa, logo se passasse dos oito para os oitenta, procurando imitar aquele modelo de competição. Começou-se pelo acessório, a Liga logo decretou o uso de fato e gravata e as equipas abriram-se a jogadores Estrangeiros, quantos mais, melhor. Dos Clubes que não resistiram a embarcar nessa aventura, uns quantos, até conseguiram alcançar alguns êxitos, mas tiveram uma passagem efémera pela Liga dos ricos porque o seu futuro ficou muito comprometido e alguns foram mesmo extintos.
Também o meu Guifões entrou nessa euforia louca e daí resultou que a sua existência esteve seriamente ameaçada.
Agora que a Liga nestes moldes parece estar finita, quero desejar que a Federação Portuguesa de Basquetebol consiga levar o seu projecto por diante e tenha engenho e coragem para que a Liga Portuguesa de Basquetebol funcione tendo em conta a realidade do País que somos, permitindo que os nossos jovens, muitos dos quais começaram a sua formação desportiva no Minibasquete, possam jogar ao mais alto nível nos seus Clubes, em prejuízo de alguns atletas importados e muitas das vezes de qualidade relativa.
E, já agora, que não mais a nossa Selecção tenha no seu cinco inicial, apenas Estrangeiros!
Noutro contexto, quero deixar aqui expressa a minha preocupação quanto a mais um modelo importado que me parece não irá trazer quaisquer benefícios para a formação desportiva dos nossos mais jovens atletas, até agora integrados no escalão de Minis 12. Refiro-me exactamente ao anunciado Campeonato de Infantis. Quero desejar que as minhas preocupações se venham a revelar infundadas e que a dita competição seja um êxito, mas efectivamente temo que se crie um ambiente de histeria competitiva cuja finalidade principal é ganhar por muitos e obter títulos, sem atender ao facto dos participantes serem ainda muito jovens que apenas pretendem sentir prazer e alegria na prática desta modalidade desportiva.
Desde há alguns anos ligado ao Minibasquete, penso que os jovens deverão ter um desenvolvimento harmonioso e devemos conceder-lhes espaço e tempo para a sua condição de crianças, pelo que considero perigoso que se force o seu crescimento prematuro. Mas este é apenas o meu pensamento pessoal.
Saudações desportivas
Zé Matos
