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Mário Barros


JOGAR SEM BOLA (parte 1)


No basquetebol a maioria das acções empreendidas pelos jogadores são feitas sem bola. Este jogar sem bola não é um dom congénito e o treinador deverá desenvolver as capacidades dos jogadores para aumentar o rendimento da equipa.

É necessário mudar mentalidades para que os jogadores sintam prazer no jogo sem bola compreendendo a sua importância. Jogar sem bola não se limita exclusivamente à desmarcação para a receber mas, também, e principalmente, para libertar companheiros. Essa mudança de mentalidades é mais fácil de conseguir na formação, no tempo certo, e com as justificações adequadas.

Eis alguns conceitos básicos a aplicar:

1º- O movimento ocupa a defesa e cria maiores oportunidades de lançamento. Estar parado é pecado capital mas não implica movimentação despropositada. Todavia, se após desmarcação não receberes a bola várias opções podem ser tomadas: no lado da ajuda, bloqueio indirecto ou corte nas costas e no lado da bola, bloqueio directo, aclarar ou ganhar posição a poste baixo. Se a defesa é agressiva e ajuda nas penetrações um ataque estático nunca é solução. As equipas que movimentam os jogadores e a bola de forma adequada acabam por dominar a defesa. Permanecer parado quando aumenta a agressividade defensiva é dar oportunidade à defesa de jogar ao ataque. Equipas com jogadores estáticos estão mais sujeitas a “traps” e “turnovers”. Uma boa movimentação torna as defesas menos agressivas.

2º- No basquetebol de nível mais elevado as melhores oportunidades de lançamento surgem nas saídas dos bloqueios após tempos de ajuda das defesas aproveitados pelos atacantes para abrir linhas de passe. Naquelas fracções de segundos com a defesa atrasada e provável vantagem de “mismatch” em caso de troca, estas oportunidades não são desperdiçadas. Para que haja aproveitamento nestas circunstâncias é preciso analisar a posição da bola e do defensor e reagir adequadamente face à leitura da situação. Movimentação conjunta de bola e jogadores criam maiores dificuldades às defesas agressivas pelo grau de exigência que requer em termos físicos e mentais. Todavia, bloqueios ao bloqueador ainda são as formas mais eficazes de libertar jogadores.
(continua)

Mário Barros

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